sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Zilda Arns


Último discurso de Zilda Arns

“Todos nós estamos aqui, neste encontro, porque sentimos dentro de nós um forte chamado para difundir ao mundo a boa notícia de Jesus. A boa notícia, transformada em ações concretas, é luz e esperança na conquista da PAZ nas famílias e nas nações. A construção da Paz começa no coração das pessoas e tem seu fundamento no amor, que tem suas raízes na gestação e na primeira infância, e se transforma em fraternidade e responsabilidade social.
A Paz é uma conquista coletiva. Tem lugar quando encorajamos as pessoas, quando promovemos os valores culturais e éticos, as atitudes e práticas da busca do bem comum, que aprendemos com nosso mestre Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenha em abundância” (Jo 10.10).
...sabemos que força propulsora da transformação social está na prática do maior de todos os mandamentos da Lei de Deus: o Amor, expressado na solidariedade fraterna, capaz de mover montanhas: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos” significa trabalhar pela inclusão social; significa não ter preconceitos, aplicar nossos melhores talentos em favor da vida plena, prioritariamente daqueles que mais necessitam.
O objetivo da Pastoral da Criança é reduzir as causas da desnutrição e a mortalidade infantil, promover o desenvolvimento integral das crianças, desde sua concepção até o seis anos de idade. A primeira infância é uma etapa decisiva para a saúde, a educação, a consolidação dos valores culturais, o cultivo da fé e da cidadania com profundas repercussões por toda a vida.
Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, deveríamos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los."
(O texto acima reproduz parte do último discurso de Zilda Arns momentos antes da sua morte, durante o terremoto do dia 12 no Haiti. Nele, ela destaca a importância de aplicar nossos melhores esforços em favor das pessoas que mais necessitam)

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Haiti

É terrível a tragédia que assolou o Haiti a partir desta terça-feira. Além de ser um dos países mais pobres do mundo a população é desagregada e à mercê de saqueadores cuja origem está no próprio povo.
No dia seguinte à tragédia, quando a dor se multiplicou pela constatação dos milhares de mortos, a falta de água, comida e remédio, saqueadores já agiam nas casas que se mantém em pé e davam tiros mortais naqueles que por qualquer motivo resistiam a suas investidas.
Não sei de tamanho sofrimento e devastação nos últimos 50 anos em nenhuma outra parte do planeta. As imagens e relatos mostram que ninguém do povo tinha condições de ajudar ao outro, e que no Haiti não existe estrutura para ajudar os feridos, não apenas porque alguns hospitais desabaram, morreram médicos e enfermeiros, mas porque o sistema de saúde praticamente não existe.
De longe, sem poder ajudar, resta-nos a força da oração apelando à misericórdia de Deus por todos que sofrem e inevitavelmente vão sofrer nos próximos dias. Ao mesmo tempo é emocionante saber que todas as nações do mundo estão envolvidas para ajudar. A esperança é de que a exemplo de outros países devastados por guerras ou terremotos, o Haiti ressurja das cinzas e seja construído com num novo regime que possa dar paz e futuro para todo o seu sofrido povo.
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