sexta-feira, 23 de abril de 2010

Cidade da Ilha do Governador

Com a votação, nesta semana, na Assembleia Legislativa de proposta que estabelece a transformação de um pedaço do território de Cabo Frio em uma nova cidade (Tamoios) do Estado do Rio de Janeiro, alguns amigos trouxeram de volta a discussão da Ilha do Governador também tentar emancipar-se. Na verdade, esse tema sempre volta quando a Ilha fica abandonada pelo poder público. Foi assim em 1994, antes que o ex-prefeito Cesar Maia resolvesse investir na região, realizando centenas de obras e criando no Parque Royal, o Favela Bairro, e os projetos Rio Cidade I e II, que alargaram as pistas da Estrada do Galeão e que, mal ou bem, modificaram o trânsito e o paisagismo da entrada da Ilha. A mudança principal foi na Portuguesa, com a instalação de equipamentos urbanos - como as discutíveis geringonças apelidadas pela população de braúlios que pouco funcionaram e atualmente, um deles está depredado, servindo apenas para depósito de objetos de mendigos.
 
É difícil, mas não é tarefa impossível, conseguir transformar a Ilha em um município. Atualmente é muito grande a insatisfação dos moradores com o abandono da região. Hospital sem médicos, buracos nas ruas, falta de iluminação, limpeza e manutenção de praças, passarelas mal conservadas, sistema de transporte tomados pela ilegalidade de kombis e vans, são marcas da falta de atenção dos poderes públicos. Uma consulta plebiscitária aos moradores facilmente apontaria a vontade da população em ter vida política própria e os órgãos da máquina pública instalados na Ilha. Hoje com a atenção da prefeitura voltada para a Zona Sul e Oeste, o bairro está relegado a um segundo plano nas prioridades municipais.
 
Um projeto de 1994, sobre o assunto, está arquivado na Assembleia Legislativa. Basta existir pressão popular e um parlamentar interessado na causa que o assunto poderá ser votado. A Ilha quer mais atenção.

 
joserichard@uol.com.br