quarta-feira, 3 de junho de 2015

Polícia age e revela pressão social reprimida

              A indignação vista nas ruas da Ilha durante essa semana pode ser entendida também como resultado da qualidade de vida reprimida e sem compensações à altura dos impostos e taxas que são exigidas dos trabalhadores.
              O trabalho simultâneo  da polícia em diversas comunidades onde a ação do tráfico ainda é rotina, se faz necessário para tentar manter a ordem e a supremacia da lei. Venda de drogas, "gatonet", entrega de gás e outros sistemas com gestão ilegal estimulam ações criminosas e precisam ser combatidos pela polícia, como deve ser feito em todos os locais do mundo.
              Os excessos e a falta de treinamento da polícia não devem se repetir em ações nunca. O exemplo de agir corretamente, com disciplina e respeito, devem vir das autoridades em qualquer circunstância. 
              Eventuais exageros que resultem em ferimento ou morte de qualquer ser humano é um preço alto demais para quem já vive reprimido, sem apoio nas áreas da saúde, educação e segurança. 
             Entender a indignação de centenas de pessoas nas ruas é perceber o conjunto de pressões contra o povo trabalhador e a enorme quantidade de exigências contra essas mesmas pessoas que vivem sem perspectivas de melhor qualidade de vida ou obras de infraestrutura que as façam imaginar um futuro melhor.
              A Ilha precisa ter o tratamento e atenção iguais a sua importância no cenário da cidade. Obras e um novo projeto urbano contemplando as áreas mais pobres que deveriam receber mais estrutura. A Ilha precisa ter planejamentos e ações diferentes de outras regiões da cidade. Não apenas pela população equivalente a de uma cidade, mas sobretudo por sua importância estratégica. Mais e melhores serviços de mobilidade urbana, seriam uma excelente válvula de escape para definir o começo de atitudes de mais atenção com a população que protestou nessa semana.

Na Ilha, falta infraestrutura e mobilidade urbana

             Cada vez mais estou convencido de que a Ilha do Governador, com cerca de 300 mil habitantes, deveria ter autoridades e órgãos locais com mais autonomia para resolver as questões básicas de infraestrutura e mobilidade.
               O que pode ser excelente para outras regiões da cidade, às vezes é ruim para os moradores da Ilha. Ou ao contrário. É o caso da falta de linhas de ônibus ligando a Ilha direto para a Zona Sul. Não disponho de números, mas conheço muita gente da Ilha que trabalha em Copacabana, Ipanema ou Leblon, e depende de transporte coletivo. Essas pessoas são obrigadas a pegar uma segunda condução em algum bairro do Rio. Esses passageiros perdem, no mínimo, três horas por dia nesse tormento.
               Com o BRT Transbrasil que vai ligar o Fundão ao Centro em 2016, o pesadelo pode piorar se o sistema de integração continuar não funcionando. No futuro o morador da Ilha vai pegar um ônibus até o BRT no Fundão e dali ao Centro onde terá que pegar outra condução para Zona Sul. O desconforto será pior do que atualmente em que existem as linhas 322, 324, 326, 328, 321 e 323 que levam milhares de pessoas direto ao Centro.
              É discriminação não facilitar o direito do insulano de deslocar-se de uma região a outra da cidade. Também é discriminação o péssimo serviço de barcas colocado à disposição dos moradores da Ilha. O trajeto Niterói-Rio tem barcas velozes enquanto os passageiros da linha Cocotá-Centro se sentem humilhados, ao serem obrigados a atravessar a baía em barcas velhas, lentas e perigosas.
               Não sei de nenhuma proposta ou promessa de linha de ônibus para a Zona Sul, mas não precisa de projeto nem pensar muito. É coisa óbvia, como é óbvio mais horários e novas barcas.